Cada passo por aquela sala era identificado pelo ranger do piso de madeira envelhecido e coberto por um carpete novo. A sala estava cheia, e os passos faziam da madeira uma orquestra de ruídos. A cada obra de Tarsila que eu observava era transportada para seu mundo... sua época.
Em todas as vezes que estive na Pinacoteca do Estado, nunca vi tantos apreciadores de arte e cheguei a uma conclusão: Tarsila é POP.
Foi sem dúvida uma grande artista esta tal de Tarsila do Amaral, tanto que suas obras (vistas de perto) me fizeram refletir...
O Abaporu, por exemplo, que em tupi-guarani "O homem que come homem" ... se olharmos com atenção ele não tem boca, mas está sentado com seu imenso corpo sobre o verde de nossa terra. O verde que nos alimenta. O Abaporu tem a cabeça pequena então não tem como pensar na gravidade de seu ato.
Hoje, utilizando nosso português politicamente correto, poderíamos chama-lo de: Governo, Massa, eu, você...
Meu corpo é menor que o dele, mas ele não se movimenta, enquanto eu, deixo rastros de canibalismo social por onde passo...
Para mim, os "Operários" de Tarsila, não são de fábricas da União Soviética ou de São Paulo, ou de qualquer outro lugar...sem identidade ou nacionalidade, eles são operários do mundo, trabalhando para a construção do novo e moderno mundo.
É Tarsila, me parece que vamos ter de demiti-los, o Mundo está em desordem...os valores foram mal acabados!
Se me permitem um último comentário, a encantadora fragilidade das crianças de "2° classe" é tocante. Assim como é perceptível em "A Lua" que Tarsila temia a noite e a solidão!
quarta-feira, 18 de junho de 2008
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